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Pé Diabético

Pé diabético: o que recomendam as diretrizes internacionais (IWGDF)

O consenso internacional que orienta médicos e podólogos no mundo todo resume o essencial: rastrear, classificar o risco, educar e agir cedo. Veja o que isso significa na prática.

Portal Podologia12 Ago 20269 min de leitura
Pé diabético: o que recomendam as diretrizes internacionais (IWGDF)

Por que existe uma diretriz mundial para os pés

O diabetes pode comprometer os nervos (neuropatia) e a circulação (doença arterial periférica) dos membros inferiores. A combinação é traiçoeira: o pé perde a sensibilidade protetora ao mesmo tempo em que cicatriza pior. Uma bolha de sapato novo, invisível para quem não sente dor, pode evoluir para úlcera, infecção e amputação.

Para enfrentar esse problema global, o International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF) publica desde 1999 diretrizes baseadas em evidências, atualizadas periodicamente e adotadas como referência no Brasil por sociedades como a SBACV e a Sociedade Brasileira de Diabetes.

Os cinco pilares da prevenção segundo o IWGDF

1. Identificar o pé em risco

Toda pessoa com diabetes deve ter os pés examinados pelo menos uma vez ao ano, incluindo o teste de sensibilidade com monofilamento de 10 g e a palpação de pulsos. Perda de sensibilidade protetora ou má circulação colocam o paciente em categoria de risco maior — e acompanhamento mais frequente.

2. Inspecionar e cuidar regularmente

Nos pés de risco, o exame profissional deve ocorrer a cada 1 a 6 meses conforme a classificação. É aqui que o cuidado podológico regular se encaixa: corte técnico de unhas, remoção profissional de calosidades (que escondem lesões sob pressão) e detecção precoce de qualquer alteração.

3. Educar paciente e família

O autocuidado diário é a primeira linha de defesa:

  • Inspecionar os pés todos os dias (espelho para a planta)
  • Lavar e secar bem, especialmente entre os dedos
  • Hidratar a pele — mas não entre os dedos
  • Nunca andar descalço, nem dentro de casa
  • Nunca cortar calos ou usar calicidas por conta própria
  • Verificar o interior do calçado antes de calçar

4. Calçado adequado

Sapatos inadequados são o gatilho mais comum das úlceras. A recomendação: calçados com espaço para os dedos, sem costuras internas agressivas, e palmilhas de redistribuição de pressão quando há deformidades ou histórico de úlcera.

5. Tratar cedo qualquer lesão

Ferida que não cicatriza em duas semanas é urgência. O tratamento precoce em equipe multidisciplinar — médico, enfermagem, cuidado podológico, cirurgia vascular quando necessário — é o que evita a progressão para amputação.

Os números que justificam o esforço

  • Até 70% das amputações não traumáticas de membros inferiores no Brasil estão ligadas ao pé diabético (SBACV)
  • Cerca de 25% das pessoas com diabetes terão úlcera nos pés ao longo da vida
  • Programas estruturados de prevenção reduzem amputações em 50% ou mais, segundo estudos citados pelas diretrizes

O que isso significa para você

Se você tem diabetes: peça o exame anual dos pés, conheça sua categoria de risco e mantenha acompanhamento podológico na frequência indicada.

Se você cuida de alguém com diabetes: participe da rotina de inspeção diária — muitas lesões são percebidas primeiro por familiares.

Se você é profissional: a estratificação de risco do IWGDF é a bússola que define a frequência ideal de retorno de cada paciente.

Referências

  • IWGDF Guidelines — Diretrizes sobre prevenção e tratamento do pé diabético (edição traduzida para o português)
  • SBACV — Pé diabético e amputações não traumáticas de membros inferiores
  • Sociedade Brasileira de Diabetes — Diretrizes sobre cuidados com os pés
  • Revista Ibero-Americana de Podologia — O podólogo como profissional de referência na prevenção do pé diabético